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setembro 19, 2026

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor (2026)

 


Título original: Practical Magic 2
Direção: Susanne Bier
Sinopse: O tempo passou, mas Sally e Gillian ainda são assombradas pela maldição do clã Owens, que todos que amam acabam morrendo. Agora, as duas devem confrontar poderes que ameaçam acabar com sua família de uma vez por todas.


É realmente difícil entender de quem foi a ideia estapafúrdia de fazer uma continuação de um filme tão ruim e tão brega quanto Da Magia à Sedução, quase trinta anos depois de seu lançamento. O mais curioso é que, além de tardia, essa continuação chega quando o primeiro filme já envelheceu de maneira bastante problemática. Aquilo que talvez tivesse algum charme excêntrico em 1998 hoje parece ainda mais exagerado, artificial e preso a uma estética muito específica dos anos 1990. Ainda assim, por uma dessas ironias do cinema, Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor consegue ser um pouco melhor do que seu antecessor, embora isso esteja longe de transformar a experiência em algo realmente empolgante.

Mais uma vez preciso dizer, como já havia feito na crítica do primeiro filme: detesto filmes de romance, magia e fantasia. E aqui, novamente, temos romance, magia e fantasia todos misturados no mesmo caldeirão. Era praticamente impossível que isso desse certo comigo. O filme é, portanto, destinado a ser um fracasso desde o princípio, porque trabalha justamente com elementos que normalmente me afastam de uma produção. A história das irmãs Owens continua mergulhada em maldições familiares, feitiços, relacionamentos amorosos e acontecimentos sobrenaturais, agora ampliando a história para uma nova geração da família. Sally e Gillian retornam ao centro da narrativa, enquanto as filhas de Sally também passam a ocupar espaço importante na trama.

A direção agora está nas mãos de Susanne Bier, substituindo Griffin Dunne, responsável pelo filme original. Bier já havia trabalhado anteriormente com Sandra Bullock em Bird Box e com Nicole Kidman em produções televisivas, o que ajuda a explicar a facilidade com que consegue conduzir as duas atrizes. O filme tem uma aparência mais sofisticada que o original, com fotografia de Simon Duggan, direção de arte bastante caprichada e uma fotografia que explora constantemente aquela atmosfera de casas antigas, jardins exuberantes, velas, objetos mágicos e cenários deliberadamente aconchegantes. Tudo é muito bonito, mas também extremamente calculado para reproduzir a identidade visual que os fãs esperam.

E talvez esse seja um dos grandes problemas da produção. Há uma sensação permanente de que tudo foi construído para recuperar uma memória afetiva que não necessariamente deveria ter sido recuperada. O filme tem uma preocupação evidente em resgatar personagens, situações e elementos do longa de 1998, mas isso nem sempre significa que exista uma história suficientemente forte para justificar seu retorno. A duração também pesa. Com cerca de duas horas e dez minutos, a narrativa poderia ser bem mais enxuta, especialmente porque algumas situações demoram demais para chegar a conclusões que já parecem previsíveis desde o início.

O roteiro, escrito por Akiva Goldsman, Georgia Pritchett e Kelly Marcel, tenta equilibrar a história das irmãs com a nova geração e a retomada da maldição familiar. A ideia de que as consequências dos acontecimentos anteriores ainda não foram completamente resolvidas cria um caminho razoável para justificar a existência da continuação, mas também expõe um problema bastante comum em continuações tardias: é preciso desfazer parte do encerramento anterior para que uma nova história possa existir. Aquilo que parecia resolvido precisa voltar a ser um problema, e a sensação de artificialidade aparece justamente aí.

Curiosamente, porém, há uma diferença importante em relação ao primeiro filme, e ela atende pelo nome de Nicole Kidman. Gillian Owens ganha muito mais espaço e personalidade desta vez, e isso faz uma diferença enorme. A personagem tem algumas das melhores tiradas do roteiro, justamente porque o filme parece compreender que Kidman pode ser muito mais divertida quando não tenta transformá-la simplesmente em uma figura excêntrica. Existe um humor mais espontâneo em sua atuação, e a atriz parece muito mais à vontade dentro daquele universo.

Os anos fizeram muito bem a Nicole Kidman como atriz. Hoje ela é completamente outra mulher em cena, muito mais desenvolta, segura e capaz de brincar com uma personagem sem parecer presa às limitações do material. No primeiro filme, Gillian parecia muitas vezes uma caricatura de uma jovem rebelde dos anos 1990. Aqui, Kidman consegue transformar a personagem em alguém mais interessante simplesmente porque demonstra domínio absoluto sobre o tom da produção. Ela sabe quando exagerar, quando fazer uma pausa e quando entregar uma fala aparentemente absurda com a expressão certa. É justamente nos momentos em que o roteiro permite que Gillian seja engraçada que o filme mais funciona.

Sandra Bullock também retorna como Sally, e sua presença continua sendo fundamental para que a relação entre as duas irmãs tenha alguma força. A química entre Bullock e Kidman permanece evidente, mesmo depois de quase três décadas, e as duas conseguem reproduzir aquela dinâmica de personalidades opostas que sustentava boa parte do primeiro filme. O retorno de Dianne Wiest e Stockard Channing como Jet e Franny também acrescenta uma agradável sensação de continuidade, embora as personagens não tenham necessariamente material suficiente para justificar todo o destaque que recebem.

Entre os novos integrantes estão Joey King e Maisie Williams, interpretando as filhas de Sally, além de Lee Pace, Xolo Maridueña e Solly McLeod. O problema é que boa parte desses personagens acaba funcionando mais como instrumento para movimentar a trama do que como figuras realmente memoráveis. A história continua muito mais interessante quando está concentrada nas mulheres da família Owens, especialmente quando Sally e Gillian estão juntas.

Visualmente, Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor é bastante competente. A fotografia, os cenários e os figurinos criam um universo de fantasia confortável e deliberadamente bonito. Não há exatamente uma tentativa de reinventar o estilo do primeiro filme. Pelo contrário, existe uma preocupação enorme em preservar sua identidade, mas com uma produção evidentemente maior. Os efeitos visuais também são mais elaborados, embora continuem servindo principalmente para sustentar o aspecto fantasioso da história, e não para criar momentos particularmente impressionantes.

O grande problema é que, para alguém que já não gostava da mistura proposta pelo primeiro filme, a continuação não oferece uma transformação suficiente para mudar essa relação. Continua sendo uma história de amor cercada por feitiços, maldições, poderes sobrenaturais e sentimentalismo. E, para piorar, existe uma camada de nostalgia que constantemente pede ao espectador que reconheça a importância daqueles personagens e daquele universo. Só que nostalgia, por si só, não transforma uma história antiga em uma boa história nova.

Ainda assim, é preciso reconhecer que esta continuação encontrou uma maneira inesperada de funcionar um pouco melhor do que o original. O principal motivo é Nicole Kidman. Sua Gillian está mais divertida, mais solta e muito mais interessante, e a atriz parece ter encontrado exatamente o tom que faltava décadas atrás. Há também uma relação entre as personagens que soa mais madura, algo natural depois de tantos anos, e isso dá ao filme uma pequena dose de personalidade própria.

No fim, Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor continua sendo uma produção que dificilmente conseguiria conquistar alguém que, como eu, não tem qualquer simpatia por romances açucarados, magia ou fantasia. A ideia de ressuscitar esse universo quase trinta anos depois continua parecendo desnecessária, e o resultado está longe de justificar tamanha espera. Mas, contra todas as expectativas, a continuação consegue ser ligeiramente mais agradável que o filme original, principalmente porque Nicole Kidman finalmente parece estar se divertindo de verdade com Gillian Owens. Talvez essa seja a verdadeira magia do filme: conseguir melhorar alguma coisa que, desde o princípio, parecia uma péssima ideia.