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setembro 23, 2026

Zona Zero (2026)

 


Título original: 군체
Direção: Yeon Sang-ho
Sinopse: De repente, um vírus que sofre mutações rápidas é liberado em uma conferência de biologia, forçando o isolamento imediato do local. A contaminação se espalha rapidamente, e os infectados não apenas atacam, eles evoluem de formas imprevisíveis e cada vez mais perigosas. Presos nesse confinamento, um grupo de sobreviventes precisa lutar pela própria vida enquanto, a cada minuto, as regras do jogo mudam.


Zona Zero, dirigido por Yeon Sang-ho, parte de uma ideia que, no papel, parece bastante promissora: e se os zumbis deixassem de ser apenas criaturas violentas que perseguem seres humanos e passassem a funcionar como uma espécie de organismo coletivo, capaz de aprender, trocar informações e modificar seu comportamento em tempo real? É justamente dessa premissa que nasce o novo filme do diretor de Invasão Zumbi, que retorna ao gênero que ajudou a consolidar sua carreira internacional. O problema é que, apesar de algumas boas ideias e de momentos visualmente interessantes, Zona Zero nunca consegue transformar completamente sua proposta original em uma experiência realmente envolvente.

A história começa durante uma conferência de biotecnologia realizada em um grande edifício de Seul. O biólogo Seo Young-cheol, interpretado por Koo Kyo-hwan, anuncia uma ameaça antes que uma infecção se espalhe pelo prédio e transforme rapidamente os presentes. Entre os sobreviventes está a cientista Kwon Se-jeong, vivida por Jun Ji-hyun, que passa a observar o comportamento dos infectados enquanto tenta encontrar uma maneira de escapar daquele verdadeiro labirinto vertical. Ao lado dela estão personagens interpretados por Ji Chang-wook, Kim Shin-rok, Shin Hyun-been e Go Soo, todos tentando sobreviver enquanto percebem que estão lidando com algo muito diferente dos zumbis tradicionais.

Essa é justamente a principal novidade de Zona Zero. Os infectados não seguem regras fixas. Eles aprendem, mudam de comportamento e compartilham informações como se fossem partes de uma única criatura. Em determinado momento podem se movimentar de maneira quase animalesca, enquanto depois demonstram uma capacidade muito maior de organização. A ideia de uma inteligência coletiva é interessante porque transforma a ameaça em algo menos previsível. Não existe simplesmente um grupo de monstros avançando de maneira descontrolada. Existe uma espécie de sistema que observa, experimenta e aprende com os próprios erros.

Yeon Sang-ho também encontra uma maneira visual de diferenciar seus zumbis. Os movimentos são estranhos, muitas vezes desconfortáveis, e os corpos parecem se transformar em uma massa única. O uso de dançarinos para construir parte desses movimentos ajuda a criar uma identidade física própria para os infectados. Em vez de depender apenas de maquiagem grotesca ou de violência explícita, o filme tenta fazer com que o próprio movimento dos corpos provoque estranhamento. É uma escolha interessante e, em alguns momentos, realmente funciona.

O problema é que a novidade conceitual acaba sendo mais interessante do que a história construída ao redor dela. A narrativa passa boa parte do tempo explicando as regras daquele novo tipo de zumbi, enquanto os personagens humanos nem sempre recebem o mesmo cuidado. Kwon Se-jeong é uma protagonista competente e funciona bem como os olhos do público diante daquela situação, mas vários personagens secundários parecem existir principalmente para cumprir determinadas funções dentro da trama. Quando o filme deveria fazer com que o espectador se importasse com a sobrevivência daquele grupo, muitas vezes está mais preocupado em mostrar a próxima transformação dos infectados.

A escolha de concentrar praticamente toda a ação em um grande edifício também produz resultados irregulares. Por um lado, o espaço fechado ajuda a criar uma sensação de confinamento. Corredores, salas, áreas comerciais e diferentes andares se transformam em obstáculos que precisam ser atravessados. Por outro, depois de algum tempo, a repetição dessas situações começa a diminuir o impacto. O filme apresenta uma nova regra, os personagens tentam descobrir como escapar, alguma coisa dá errado e surge uma nova variação dos infectados. Esse mecanismo funciona durante determinado período, mas não consegue sustentar sozinho uma produção com mais de duas horas de duração. A produção tem aproximadamente 122 minutos, e em alguns trechos a impressão é de que a ideia central já poderia ter chegado ao seu ponto máximo antes do encerramento.

A direção de Yeon Sang-ho continua demonstrando segurança quando precisa construir cenas de caos. O diretor sabe trabalhar com espaços apertados e transformar uma situação aparentemente simples em uma sequência de perseguição. Há também uma preocupação evidente em fazer com que os zumbis tenham personalidade visual própria. O filme não parece interessado em simplesmente repetir aquilo que já foi feito em Invasão Zumbi ou Invasão Zumbi 2: Península. A intenção é claramente experimentar outra possibilidade dentro do gênero. O resultado, entretanto, é menos impactante do que a proposta faz imaginar.

Jun Ji-hyun é provavelmente o elemento humano mais consistente da produção. Sua personagem não é construída como uma heroína de ação tradicional, mas como alguém que tenta compreender racionalmente aquilo que está acontecendo. Isso combina com a própria proposta do filme, já que o espectador acompanha a evolução dos infectados praticamente junto com ela. Koo Kyo-hwan também aproveita bem a estranheza de seu personagem, enquanto Ji Chang-wook e Kim Shin-rok ajudam a manter o grupo de sobreviventes minimamente interessante. Ainda assim, o roteiro dá mais atenção à mecânica do apocalipse do que às relações entre essas pessoas.

É justamente aí que Zona Zero fica dividido entre ser uma experiência de terror e uma experiência de ficção científica. Quando aposta no suspense e na ameaça física, o filme funciona melhor. Quando tenta desenvolver sua reflexão sobre inteligência coletiva, humanidade e comportamento de massa, existem boas ideias, mas elas são apresentadas de maneira bastante direta. Yeon Sang-ho parte da comparação entre humanos e infectados para questionar quem realmente está evoluindo e quem está regredindo. Enquanto os zumbis começam em um estado quase primitivo e rapidamente aprendem a trabalhar em conjunto, os seres humanos vão abandonando a cooperação e revelando seus instintos de sobrevivência. É uma ideia interessante, embora o filme nem sempre consiga aprofundá-la como poderia.

Tecnicamente, Zona Zero é competente, especialmente na criação dos infectados e na utilização do espaço. A fotografia ajuda a transformar o edifício em um ambiente cada vez mais ameaçador, enquanto a montagem mantém boa parte das sequências de ação em movimento. A trilha sonora e o desenho de som também colaboram para aumentar a sensação de perigo, principalmente quando os personagens percebem que os infectados estão começando a agir de maneira coordenada. Nada disso, porém, chega a ser particularmente memorável.

O filme ainda carrega a expectativa de ser mais uma grande reinvenção do cinema de zumbis de Yeon Sang-ho, mas talvez esse seja justamente um dos seus problemas. A proposta é suficientemente diferente para despertar curiosidade, mas não suficientemente desenvolvida para provocar o impacto que poderia. Há momentos realmente criativos, algumas imagens bastante perturbadoras e uma ideia central que merecia um roteiro mais ousado. Em contrapartida, existe uma certa repetição na estrutura e uma dificuldade em transformar conceitos interessantes em emoção genuína.

Zona Zero está longe de ser um desastre. É uma produção bem realizada, com bons atores, uma concepção visual diferente para seus infectados e uma tentativa válida de encontrar uma nova abordagem para um gênero extremamente explorado. Também é possível perceber que Yeon Sang-ho continua interessado em utilizar o cinema de zumbis para falar sobre comportamento humano, e não apenas para criar cenas de perseguição. O problema é que, desta vez, a execução fica abaixo da força da ideia.

No fim, Zona Zero deixa a sensação de uma experiência curiosa, mas irregular. Quando o filme está concentrado nos infectados e em sua capacidade de aprender coletivamente, existe uma energia genuína e uma sensação de novidade. Quando precisa sustentar a narrativa através dos personagens e de uma história mais emocional, perde força. É um filme que tem boas ideias, alguns momentos muito interessantes e uma identidade própria, mas que poderia ter ido muito mais longe. Para quem esperava uma nova grande referência dentro do cinema de zumbis de Yeon Sang-ho, o resultado acaba sendo apenas razoável.