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março 04, 2026

Sing: Thriller (2024)

 


Título original: Sing: Thriller
Direção: Garth Jennings
Sinopse: Buster Moon sonha com um espetáculo estelar ao som de Thriller, do Michael Jackson, nesta animação com personagens da franquia de filmes Sing.


Dentro do universo das animações musicais recentes, Sing: Thriller, dirigido por Garth Jennings, surge como um pequeno especial de Halloween que tenta capitalizar tanto o sucesso da franquia Sing quanto o eterno apelo da música “Thriller”, de Michael Jackson. Produzido pela Illumination Entertainment e lançado pela Netflix, o curta tem apenas cerca de 11 minutos e reúne novamente o elenco de vozes conhecido da série, incluindo Matthew McConaughey, Scarlett Johansson, Taron Egerton, Tori Kelly e Nick Kroll. A ideia é simples: transformar o famoso clipe de “Thriller” em um número musical dentro do mundo dos personagens animais da franquia. Na prática, porém, o resultado está longe de justificar sua própria existência.

A história é extremamente básica. O produtor teatral Buster Moon organiza um espetáculo de Halloween no New Moon Theatre, no qual os personagens interpretam uma versão temática de “Thriller”. Depois do show, todos seguem para uma festa, mas um acidente em um laboratório espalha um estranho líquido que transforma os convidados em criaturas semelhantes a zumbis, levando a um grande número musical inspirado diretamente na coreografia clássica do clipe original.

O problema é que essa premissa, que poderia gerar algo divertido e energético, é executada de forma surpreendentemente sem graça. Mesmo com duração curtíssima, o curta consegue ser entediante. Tudo parece existir apenas como desculpa para chegar rapidamente ao momento em que os personagens dançam ao som da música. Não há qualquer construção dramática, humor realmente eficaz ou criatividade narrativa. A impressão é de assistir a um produto promocional esticado para preencher alguns minutos.

Visualmente, a animação mantém o padrão técnico esperado do estúdio, com personagens expressivos e cenários coloridos. No entanto, isso já não impressiona tanto quanto poderia. A estética é praticamente a mesma vista nos filmes da série, apenas revestida com alguns elementos de Halloween. Há abóboras, luzes esverdeadas e um clima de paródia de filme B de terror, mas tudo é tão genérico que passa sem deixar marca.

O maior problema, contudo, está no tom. A animação aposta em um humor infantil extremamente simplório. Muitas piadas são previsíveis, outras parecem feitas para crianças muito pequenas, e o resultado geral é uma sucessão de momentos bobos que dificilmente arrancam mais do que um sorriso tímido. A sensação é de estar vendo algo produzido no piloto automático, sem qualquer ambição artística.

Se algo realmente se salva na experiência é a própria música. “Thriller” continua sendo um clássico absoluto da cultura pop e, inevitavelmente, carrega consigo uma energia que nenhuma animação fraca consegue destruir. O momento em que os personagens reproduzem a famosa coreografia é talvez o único instante que desperta algum interesse. Mas isso acontece menos por mérito do curta e mais pela força da obra original que ele tenta homenagear.

No fim das contas, Sing: Thriller parece um daqueles projetos concebidos apenas para manter uma marca ativa nas plataformas de streaming. Falta inspiração, falta humor e falta qualquer senso de novidade. Para um especial tão curto, surpreende como consegue parecer longo. Quando termina, fica a impressão de que se assistiu a algo completamente descartável. Tirando a música de Michael Jackson, o resto é praticamente um desperdício de tempo. Quase um lixo animado embalado em cores brilhantes e nostalgia pop.