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março 24, 2026

Full Moon (2025)

 


Título original: Full Moon
Direção: David Cocheret
Sinopse: Após uma selvagem festa da lua cheia na Tailândia, o corpo de uma jovem aparece na praia, transformando as férias de quatro amigos holandeses em um pesadelo.


Full Moon (2025), dirigido por David Cocheret, parte de uma premissa que parece quase pronta para dar certo. Quatro amigos na casa dos trinta viajam para a Tailândia em busca de uma última grande escapada antes da vida adulta “definitiva”, mergulhando em festas, excessos e irresponsabilidades. Mas o que começa como um retrato de liberdade rapidamente se transforma em um pesadelo quando o corpo de uma jovem aparece após uma noite caótica, colocando os quatro no centro de uma suspeita que eles mesmos parecem incapazes de entender.

O filme tenta caminhar por essa linha tênue entre o suspense e o drama moral, mas o que mais chama atenção é como ele nunca decide exatamente o que quer ser. Há uma clara intenção de criar tensão psicológica, de explorar culpa, paranoia e o peso das escolhas impulsivas. Só que tudo isso surge de forma meio diluída, como se a narrativa estivesse mais preocupada em manter o ritmo de uma viagem descontrolada do que em construir, de fato, um mistério envolvente.

David Cocheret aposta muito na ambientação, e aqui está talvez o maior acerto do filme. A Tailândia não é apenas cenário, ela funciona quase como um personagem silencioso. As praias, as festas iluminadas por neon, o calor constante e aquela sensação de estar longe de qualquer consequência criam um clima interessante. Existe um contraste evidente entre o paraíso turístico e o inferno moral que se instala depois do acontecimento central. Essa dualidade sustenta boa parte do filme, mesmo quando o roteiro começa a vacilar.

O elenco, liderado por Yannick Jozefzoon, Kay Greidanus, Matthijs van de Sande Bakhuyzen e Joep Paddenburg, funciona melhor do que o texto que recebem. Há uma naturalidade nas interações entre os quatro que ajuda a vender a ideia de amizade antiga, marcada por cumplicidade, mas também por pequenas tensões mal resolvidas. Byron Gibson, que já apareceu em produções como Só Deus Perdoa, surge como um dos rostos mais interessantes do conjunto, trazendo uma presença mais firme em meio a personagens que, por vezes, parecem meio rasos.

O problema é que o filme nunca aprofunda esses personagens como deveria. Eles são apresentados com traços básicos, quase arquétipos de amigos em crise de meia-idade disfarçada, e o roteiro não parece interessado em ir além disso. Quando a tragédia acontece, a reação deles deveria ser o motor emocional da história, mas tudo soa um pouco automático. Falta peso, falta conflito real. A sensação é de que estamos assistindo a uma sequência de eventos que deveriam ser intensos, mas que nunca chegam a ser totalmente convincentes.

Narrativamente, Full Moon também sofre com um certo desequilíbrio. O início é carregado de energia, com festas, exageros e um ritmo acelerado que até empolga. Só que, depois do ponto de virada, o filme desacelera sem saber muito bem o que fazer com o tempo restante. A investigação, que poderia ser o coração da trama, é tratada de forma superficial, quase como pano de fundo para discussões entre os amigos. Isso faz com que o suspense perca força, dando lugar a uma espécie de drama morno.

Curiosamente, há momentos em que o filme parece flertar com uma crítica ao comportamento do turista ocidental, especialmente na forma como esses personagens interagem com o ambiente local. Existe uma arrogância silenciosa, uma falta de consciência que poderia render algo mais incisivo. Mas, novamente, a ideia aparece e desaparece sem grande desenvolvimento, como tantas outras coisas aqui.

Visualmente, o filme é competente. A fotografia aproveita bem os contrastes entre luz e sombra, entre o brilho artificial das festas e a escuridão das consequências. Não há nada particularmente inovador, mas há um cuidado evidente em tornar a experiência agradável aos olhos. É aquele tipo de estética “bonita” que ajuda a manter o interesse mesmo quando a história dá sinais de cansaço.

Talvez o maior problema de Full Moon seja justamente esse: ele é um filme que funciona melhor como experiência momentânea do que como obra duradoura. Ele prende em alguns momentos, tem boas ideias espalhadas e um elenco que segura as pontas, mas falta consistência. Quando termina, fica a sensação de que havia ali um filme mais forte, mais tenso, mais impactante, que nunca chegou a se concretizar.

No fim das contas, é um thriller que não incomoda o suficiente para marcar e nem entretém o bastante para ser memorável. Funciona como um passatempo, daqueles que você assiste sem grandes expectativas e até encontra algum valor, mas que dificilmente vai revisitar. É uma viagem intensa enquanto dura, mas que, assim como a própria noite que dá nome ao filme, desaparece rápido demais quando a luz volta a aparecer.